Baú do Bohemio: saudade

Um nada que tem tudo

Saudade. Essa palavra que só existe na língua portuguesa e que nos acorrenta a um sentimento apenas tangível por dentro, apenas traduzível na carne que se recolhe do hoje para tocar o ontem. Ah povo fadista, entristecido, sonhador aprisionado ao passado. Povo tão soturno e

Carta à memória

Não me roubes o tempo que guardei para destilar as insónias do passado. Lembranças que arrumo em gavetas de madeira envelhecida, numa idade onde ser era ser-te. Onde o amor se apagou numa mancha de cinza, um erro traçado por cima, a tinta permanente. Tento

Anatomia de uma ficção: Ossos

Não sei se já te disse, mas todas as manhãs são armas carregadas com o teu nome. Todas as noites são trincheiras a acumular túmulos devolutos, baseados em factos reais. Ficaram-me os ossos no caixão, ficou-me o esqueleto da casa. Tudo é pó, exceto o

Até amanhã, esperança

A vida é uma seca sem ti. Uma devastação de gestos simbióticos atirados ao chão. Uma pastagem de poeira numa desolação de coisas que se estragam na espera. Tudo tem validade para o consumo, exceto a vontade da tua pele. Mas ela não está. Ela

Encontrei-te no tempo

Hoje viajou-me o tempo pelo chão que tremia. Passaram-me todos dias pela retina. Atravessou-se o mundo pela janela da mente e logo, iminente, lembrei-me de uma porta que se abria. Aconteceu-me um sorriso a vestir a perfeição e depois a escravidão do momento. Nasceu uma

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