Baú do Bohemio: ausência

Carta à memória 2.0

Escrevo de dentro da liberdade do presente. Escrevo para um código postal distante, numa cela lá longe, um corredor de vultos, onde as promessas vão para morrer. Escrevo aos teus olhos criminosos, que tomaram de assalto as minhas horas. Escrevo para ti, que ficaste entre as

Carta à memória

Não me roubes o tempo que guardei para destilar as insónias do passado. Lembranças que arrumo em gavetas de madeira envelhecida, numa idade onde ser era ser-te. Onde o amor se apagou numa mancha de cinza, um erro traçado por cima, a tinta permanente. Tento

Anatomia de uma ficção: Ossos

Não sei se já te disse, mas todas as manhãs são armas carregadas com o teu nome. Todas as noites são trincheiras a acumular túmulos devolutos, baseados em factos reais. Ficaram-me os ossos no caixão, ficou-me o esqueleto da casa. Tudo é pó, exceto o

Anatomia de uma ficção: Pele

Pede-me a pele e eu dou-te cada centímetro exterior, para que possas ver o teu reflexo a sangrar por dentro. Talha-me a carne, esculpida em desejo. Que seja isso apenas, aceito. Se o preceito for esse. Se for só isso que nos resta, que seja

Anatomia de uma ficção: Carne

Abro as cortinas de uma vida desordenada. Aqui, prostrado nos vícios da carne, pergunto-te: com quantos corpos se dilacera uma alucinação? Com quantas bocas se mitiga uma miragem? Sucedem-se noites abatidas num quarto turvo, onde finjo que te contenho na adrenalina de uma transpiração. Contos

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