Chovia nas coisas de dentro

Como posso explicar-te que ontem chovia saudade? Como hei-de dizer-te que as ruas ficaram inundadas com o teu nome? Como se explica a alguém que a saudade também chove? Entender que algo intraduzível pode ter expressão física, tangível, é coisa de poetas e loucos. Assim como dizer que há poetas e loucos é uma redundância, como se existisse a possibilidade de um e outro serem dissociáveis. Há coisas que não se separam, há fenómenos que não se explicam, há chuvas que nos alagam. Já a saudade, essa transborda. Ela chove, sim. Se há coisa que a saudade faz é chover, por fora e por dentro. Às vezes aguaceiro, outras dilúvio. Em todas, tu.

chovianascoisasdedentro_obohemio

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