Amar-te-ei enquanto fores livre

Tenho esta tendência para cair nos teus braços. Mas não me queiras a 100 decibéis. Sou daqueles que ama longe do sufoco das multidões, atordoadas pelo estrondo do imediato. Sou devagar, sem pressa para explorar cada pedaço dos teus dias. Mas sou das minhas noites, também. Tens de saber disso. Emparelho-me com as estrelas e repouso as mãos no sossego do pensamento. Tens de saber que sou teu, mas sou meu primeiro. Tens de saber que se te quero não é por necessidade, é por liberdade. Mantém-te assim, solta, desprendida de mim. Sê como as gaivotas, migra para mim quando estiver mau tempo desse lado.

Percebe que se me calo é para poder escutar cada gesto teu. Sou mais do silêncio. Essa força esmagadora de palavras usadas vezes demais. E as pessoas são tão efémeras a sentir. Sabem lá elas o que é isso. Não são como nós. Ser como nós? Elas sabem lá o que é isso. Sabem lá que ter um coração para morar é tudo o que nos basta. Não fazem ideia do que é ser livre nos braços de alguém. Existem desgovernadas nesta ânsia pelo agora descartável, aprisionadas ao ruído das palavras. Não sabem que é preciso olhar e escutar o silêncio como se fosse tudo. É nele que habitam todas as coisas que dispensam palavras.

Eu e tu escolhemos ser e pertencer apenas porque sim. Apenas porque não há outra forma de ser e estar. Escolhemos a prisão de uma gaiola com a chave no trinco, eu, tu e os pássaros. Somos como os pássaros, livres para voar, mas escolhemos ficar. Amar-te-ei enquanto fores livre. Deixo de te amar no dia em que precisares de mim. Tens de saber disso. De resto, amar-te-ei em todos os “para sempre” segredados com um olhar.

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